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A ética do bibliotecário PDF Imprimir E-mail
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Sáb, 30 de Janeiro de 2010 08:03

 

Autor: Luciano Antonio Alves

Falar de ética e moral é falar da conduta das pessoas, é falar daquilo que diz respeito ao comportamento humano. Mas o que torna alguém ético? Ao se falar de atitude ética dos bibliotecários, precisa-se colocar em pauta algumas situações a que são submetidos esses profissionais no dia a dia.

Para isso, vamos exemplificar essas questões com uma pequena história. Suponhamos que um jovem, sem maiores conhecimentos sobre pesquisa bibliográfica, usuário de uma biblioteca pública municipal, chegasse ao setor de referência com a seguinte indagação ao bibliotecário: “Vocês possuem informações a respeito da construção de um artefato explosivo?”

Durante a entrevista de referência, o bibliotecário tenta obter maiores informações a respeito da finalidade para a qual a informação será utilizada. O usuário, sem receio com as indagações, diz que é para suprir uma curiosidade e, ao mesmo tempo, construir um artefato desta espécie, haja vista acompanhar pelos noticiários os ataques entre torcidas de times de futebol utilizando-se de tal artifício. O bibliotecário sabe que a biblioteca tem tal informação em detalhes, mas, num primeiro momento, fica apreensivo com a forma como a informação desejada poderá vir a ser utilizada.

Após alguns instantes, decide por fornecer a informação e comunica ao usuário que a biblioteca possui o material desejado e que esse tipo de dado encontra-se disponível também na internet e em outros meios de consulta, indicando-lhe, inclusive, endereços de sites que ensinam passo a passo a fabricação de explosivos.

Voltando à realidade e diante de tal situação, podemos concluir ser este um caso envolvendo a ética do bibliotecário como indivíduo e a sua ética profissional na gestão da informação. Sendo a ética profissional deste regida por uma resolução elaborada pelo Conselho Federal de Biblioteconomia.

De um lado, o solicitante da informação deixa clara a sua intenção de querer fabricar e, quem sabe, utilizar um artefato explosivo que poderá trazer danos físicos e psicológicos a terceiros. Por outro lado, o bibliotecário se vê forçado a responder a uma solicitação de informação como qualquer outra baseado no direito de informação que qualquer cidadão possui.

E se o bibliotecário tomasse uma atitude contrária, não fornecendo a informação solicitada, seria ele um indivíduo ético? Estaria ele certo ou errado? Estaria ele infringindo a regra básica ao livre acesso à informação? Ou estaria ele agindo corretamente na preocupação de evitar, quem sabe, uma tragédia com consequências incalculáveis?

Neste sentido, a sociedade ou os interesses da maioria da população poderiam ser atingidos por uma decisão tomada pelo bibliotecário que não pesou as consequências da sua ação.

A atitude ética do bibliotecário, muitas vezes, pode ser posta em xeque quando se posiciona de forma alienada aos fatos que poderão vir a acontecer em virtude das suas ações. A sociedade exige que a sua atuação profissional seja a mais correta e acertada dentro do possível, sem se esquivar, é claro, das suas responsabilidades.

 

Fonte: A Notícia

 

 

 

 
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